segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Guerra do Velho - John Scalzi


Mnha opinião: A Guerra do Velho (Vol. 1)
Como fã de ficção científica, busco sempre autores capazes de criar mundos novos e situações inesperadas, e John Scalzi entrega exatamente isso neste primeiro volume. A premissa de idosos de 75 anos se alistando para ganhar corpos novos e lutar no espaço é fascinante, e a construção desse universo me prendeu bastante, especialmente as dinâmicas das batalhas e a tecnologia de transferência de consciência.
O protagonista, John Perry, segue um estilo bem clichê — aquele tipo "Rambo" que, mesmo sem experiência prévia, parece saber de tudo, supera todos os obstáculos e sempre vence. Mas isso não chega a atrapalhar porque ele é extremamente carismático e narra a história de um jeito que prende a atenção. O ponto baixo para mim foi a introdução do romance com a "cópia" da esposa falecida dele. Achei desnecessário; a trama funcionava muito bem só com a adrenalina da guerra e a exploração espacial, sem precisar desse drama afetivo no meio. Ainda assim, é uma ficção científica muito boa e sólida, que me deixou com vontade de seguir para os próximos livros, mesmo não sendo a melhor que já li na vida.

Sinopse
Em A Guerra do Velho, a humanidade finalmente chegou às estrelas, mas o espaço é um lugar hostil e disputado. Para defender as colônias humanas, a Terra recruta soldados com uma condição peculiar: eles devem ter 75 anos ou mais. Em troca de sua vida na Terra — para onde nunca mais poderão voltar —, esses idosos recebem corpos rejuvenescidos, geneticamente modificados e prontos para a guerra. John Perry é um desses recrutas que, após o luto e a velhice, decide apostar tudo nessa nova chance de viver, descobrindo que a guerra intergaláctica é muito mais estranha e brutal do que ele imaginava.

Ensaios de Despedida de Elisama Santos


Minha opinião: Iniciei a leitura de "Ensaios de Despedida", de Elisama Santos, com uma expectativa altíssima, vinda da experiência forte que tive com "Mesmo Rio", obra anterior da autora. Aqui, encontrei uma estrutura narrativa diferente, mas igualmente impactante: o livro é construído a partir de cartas de uma mãe para uma filha — cartas que a filha não lê, mas que servem como a única via possível para essa mulher elaborar o que sente.
É uma leitura intensa sobre as dualidades femininas: a vontade de partir versus a obrigação de ficar; o desejo de viver a própria vida versus a renúncia para que os outros vivam. A autora retrata com crueza como nos negamos como pessoas para caber no papel de cuidadora e como, muitas vezes, não conseguimos sair desse lugar. O livro me provocou uma reflexão profunda sobre o que fazemos no piloto automático: como o lugar do cuidado acaba ficando "marcado" em nós, mulheres, como uma segunda pele, nos aprisionando em funções que nos apagam, mesmo quando gritamos internamente por liberdade.

Sinopse
Em Ensaios de Despedida, Elisama Santos apresenta a intimidade de uma mulher que, prestes a completar 50 anos, decide rever sua trajetória através de cartas escritas para a filha e para a mãe já falecida. Através dessa correspondência unilateral, ela confessa os segredos de um casamento desgastado, a solidão acompanhada e o peso insustentável de ter vivido sempre em função das necessidades alheias. É um romance sobre o direito de mudar de rota, a complexidade das relações familiares e o custo emocional de ser a base de sustentação de todos, menos de si mesma.

Suíte Tóquio de Giovana Madalosso


Minha opinião: A leitura de "Suíte Tóquio", de Giovana Madalosso, foi uma experiência que me prendeu do início ao fim, especialmente pela estrutura narrativa que alterna entre as vozes das personagens, criando uma tensão constante. Inicialmente, a trama me despertou sentimentos ambíguos e muita raiva, não apenas pelo sequestro da criança em si, mas pela postura da mãe, Fernanda, que me pareceu extremamente relapsa. No entanto, ao longo da leitura, fui desconstruindo esse julgamento e entendendo a crítica social por trás dele: Fernanda age exatamente como um "pai tradicional" — ela sustenta a casa, prioriza a carreira e exerce o cuidado à sua maneira. Percebi que ela não seria criticada se fosse um homem desempenhando esse mesmo papel de provedor, o que escancara o peso desproporcional sobre a maternidade.
O livro explora esses papéis invertidos e a complexidade das relações de trabalho doméstico com uma força impressionante. A posição da babá, Maju, é retratada de forma dolorosa: uma mulher que não tem direito a ter vida própria, a ponto de precisar negociar uma folga para tentar engravidar. É chocante ver como o cuidado é mercantilizado e como existem abismos entre "o cuidado que não é cuidado" (a negligência afetiva) e "o cuidado que é cuidado" (o vínculo real, mesmo que em contextos perigosos). Os perigos, os encontros e os desencontros dessa história tornam a obra um estudo fascinante sobre classes sociais, afetos e a invisibilidade de quem cuida.

Sinopse
Em "Suíte Tóquio", uma babá decide levar a criança de quem cuida para um passeio não autorizado, desencadeando uma trama de suspense psicológico e crítica social. Enquanto a funcionária e a menina mergulham em uma jornada imprevisível, a narrativa alterna para o ponto de vista da mãe, uma executiva de televisão imersa em uma crise no casamento e na carreira. O desaparecimento da filha obriga a mãe a confrontar sua própria ausência e as falhas na dinâmica familiar. Giovana Madalosso constrói um thriller doméstico ágil que disseca as relações de poder, a culpa materna e as fronteiras tênues entre afeto e subordinação no Brasil contemporâneo.