Minha Opinião
Encontrei este livro quase por acaso no Sesc, procurando por outra obra da autora (A Pediatra), e acabei devorando-o em uma única manhã. A leitura é impressionantemente fluida; a escrita da Andréa del Fuego nos carrega com uma leveza que contrasta com a estranheza da trama. Confesso que fechei o livro sem ter certeza se entendi tudo racionalmente, mas percebi que a obra não pede explicação lógica, ela pede entrega.
O livro opera na atmosfera do "Oneiro", como se fosse um sonho, ou o inconsciente, um lugar onde ninguém tem o controle e onde somos guiados por forças misteriosas. O que mais me prendeu, no entanto, foi a dinâmica familiar disfuncional: a mãe e o filho vivem uma relação de ambivalência, querendo partir mas precisando ficar, "se atravessando" o tempo todo. É uma convivência onde todos parecem fingir que não veem a realidade para conseguirem permanecer juntos. É uma obra onírica, misteriosa e que nos deixa com a sensação de termos acordado de um sonho vívido e estranho.
Sinopse
Em As Miniaturas, Andréa del Fuego constrói um romance que desafia a realidade concreta. A trama se passa em um edifício misterioso, próximo ao Oneiro (o centro dos sonhos), onde funcionários trabalham para reduzir o mundo a maquetes e miniaturas. Nesse cenário onde as leis da física e da vida cotidiana parecem suspensas, acompanhamos personagens que lidam com a fronteira tênue entre a vigília, o sono e a morte. É uma narrativa sobre o desejo de controle sobre a vida e a inevitabilidade de sermos guiados pelo nosso próprio inconsciente.
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