Minha opinião: Ler O Impulso é um exercício de paciência e de espelhamento.
Após a experiência sensível com Amêndoas, mergulhei nesta nova obra de Won-pyung Sohn com a expectativa de encontrar uma trajetória clássica de ascensão. Mas o que a autora nos entrega é algo muito mais visceral e, por vezes, incômodo: a resistência da realidade.
O protagonista, Kim, não é um herói de transformação rápida. Ele é o retrato da repetição. Ao acompanhá-lo, somos confrontados com a dificuldade genuína de romper com ciclos de desânimo. O livro toca em feridas abertas sobre o desejo e a autonomia: até onde vai a nossa escolha quando o mundo ao redor parece ruir?
Confesso que, como leitora, houve momentos de uma certa decepção — não pela escrita, que é ágil e precisa, mas pelo realismo da trama. Queremos que o personagem acerte, que os sonhos se realizem e que o apoio apareça de forma mágica. Queremos o clichê do "final feliz" porque ele nos conforta.
No entanto, Sohn escolhe nos mostrar que a mudança muitas vezes é lenta, feia e cheia de retrocessos.
A obra me fez refletir profundamente sobre o peso das nossas expectativas. É um livro rápido de ler, mas que demora a ser processado. Ele nos lembra que, embora os sonhos nem sempre se concretizem da forma que planejamos, a tentativa de mudar a própria postura diante da vida , literalmente e simbolicamente, já é um ato de coragem. É uma leitura que não oferece respostas prontas, mas que sustenta a ambivalência entre o fracasso e a persistência de um modo muito honesto.
Sinopse
O livro nos apresenta Seong-gon Kim, um homem de quase cinquenta anos que sente que sua vida é um acúmulo de fracassos. Após várias tentativas de negócios que deram errado e um distanciamento doloroso de sua família, ele chega ao seu limite e decide desistir de tudo. No entanto, após uma tentativa de suicídio frustrada, ele encontra uma mensagem que o instiga a mudar apenas uma pequena coisa: sua postura física. A narrativa acompanha esse esforço hercúleo de Kim para alterar seus hábitos mais enraizados, endireitar as costas e, quem sabe, encontrar um novo sentido para sua existência em um mundo que parece não ter lugar para ele.
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