Minha opinião: Há livros que moram na nossa estante e na nossa memória afetiva por anos. Eu tinha lido a continuação desta obra, O Anjo das Trevas, ainda na adolescência, e ele rapidamente se tornou um dos meus suspenses policiais favoritos. A vontade de ler O Alienista, o livro que deu origem a tudo, era imensa. Quando finalmente consegui um exemplar emprestado, o resultado foi inevitável: devorei as páginas em apenas três dias. E que leitura irretocável!
A narrativa entrega absolutamente tudo o que um suspense investigativo de altíssimo nível precisa ter. Somos atirados para a Nova York do final do século XIX, numa época em que a psicologia e a ciência forense ainda engatinhavam. Acompanhar a busca meticulosa por detalhes, a coleta das pistas e o cruzamento de informações nos deixa presos num estado de curiosidade febril para desvendar quem é o criminoso. Os personagens são incrivelmente envolventes e complexos, fazendo com que a gente não consiga parar de pensar nas suas motivações e dinâmicas mesmo depois de fechar o livro.
Mas o que realmente eleva O Alienista à categoria de obra-prima é a sua atmosfera densa, que remete muito àquela genialidade sombria de O Silêncio dos Inocentes. O foco aqui não é apenas responder "quem matou?", mas responder "por quê?". O protagonista, o Dr. Laszlo Kreizler, é um "alienista" (o termo usado na época para os primeiros psicólogos e psiquiatras criminais) focado em entender a raiz do mal. Ele precisa mergulhar na infância, nos traumas e nas repetições do assassino para criar o que hoje conhecemos como perfil criminal. É uma obra fascinante sobre a necessidade humana de tentar compreender a lógica doentia que se passa na cabeça de um psicopata. Um suspense brilhante, sombrio e muito, muito bem escrito.
Sinopse do Livro
Nova York, 1896. A cidade é sacudida por uma série de assassinatos brutais cujas vítimas são jovens garotos que se prostituem nos bordéis locais. A polícia, corrupta e despreparada, encontra-se num beco sem saída. É então que o recém-nomeado comissário de polícia, Theodore Roosevelt, decide montar uma equipe de investigação secreta e não convencional. Ele convoca o seu antigo colega de faculdade, o Dr. Laszlo Kreizler — um brilhante e controverso alienista —, o repórter criminal John Schuyler Moore e a obstinada Sara Howard, a primeira mulher a trabalhar no departamento de polícia. Juntos, eles utilizam métodos revolucionários para a época, como a análise de impressões digitais e, principalmente, a criação de um perfil psicológico detalhado do assassino, tentando entrar na mente do monstro antes que ele faça a sua próxima vítima.
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