sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Um Amor Incomodo de Elena Ferrante

Minha opinião: Confesso que um Amor Incomodo foi um livro complicado para mim. Logo no início, a leitura me deixou um pouco perdida, e eu me questionava o tempo todo: por que a Delia age dessa forma? Por que ela vai atrás das pessoas da mãe, como se a história fosse dela e não da mãe? Isso me incomodou bastante durante a leitura.

O livro tem uma estrutura densa e complexa, e à medida que as páginas passavam, algumas situações começavam a ser reveladas, mas a confusão ainda estava ali, pairando sobre a trama. Em muitos momentos, eu me senti frustrada, querendo que a Delia reagisse de uma maneira diferente, mas ela seguiu o caminho dela, agindo como ela queria, o que era completamente oposto ao que eu imaginava.

Achei o livro difícil de ler, uma leitura que exige muita paciência e disposição. Algumas passagens me deixaram até nervosa, e o comportamento da Delia me tirava do sério, principalmente por ela ter uma atitude tão diferente do que eu esperava dela. No entanto, também é impossível negar a profundidade emocional da obra, mesmo com toda a confusão. A autora faz um retrato muito visceral e complicado de relações familiares, memórias e o impacto do passado sobre o presente.

Sinopse:

O Amor Incomodo acompanha a história de Delia, que retorna à cidade onde cresceu após a morte de sua mãe. Ela começa a investigar a vida da mãe, buscando respostas sobre o relacionamento delas e os segredos que ficaram por trás da figura materna. O livro é um mergulho profundo no universo psicológico de Delia, que se vê obcecada pelo passado e pelas pessoas que marcaram a vida de sua mãe. A narrativa mistura mistério, memórias e revelações, enquanto Delia tenta entender seu próprio lugar no mundo e o peso da sua relação com a mãe.

O Que Resta de Nós - Virginie Grimaldi

Minha opinião: Se você quer um livro que te toque no fundo do coração, O Que Resta de Nós é uma leitura que certamente vai mexer com você. A história é tão bonita e delicada, que faz a gente refletir sobre a importância dos laços humanos e como, mesmo em momentos de solidão e dificuldades, a convivência pode transformar nossas vidas de maneira profunda.

A trama nos apresenta Jeanne, uma mulher de 74 anos, que enfrenta a viuvez e a solidão após a morte do marido. Ela se vê em uma situação difícil, com questões financeiras complicadas, e decide alugar dois quartos de seu apartamento. É aí que ela conhece Théo, um jovem de 18 anos com um futuro incerto, e Iris, uma mulher de 33 anos com um passado misterioso. As três personagens vêm de lugares diferentes da vida, e, apesar das gerações e experiências de vida distintas, acabam formando uma amizade improvável.

O que mais me tocou no livro foi o modo como essas três figuras tão diferentes conseguem se apoiar e crescer juntas. Cada uma delas tem sua própria dor escondida e seus medos, mas juntas, vão aprendendo a abrir espaço para o outro, e é nesse encontro que elas encontram algo mais do que amizade: um novo sentido para a vida.

A autora consegue capturar com sensibilidade as nuances das relações humanas, as fragilidades de cada um, e a maneira como as conexões podem curar. Eu adorei a forma como ela fala sobre a importância das amizades, especialmente quando nos sentimos perdidos ou sozinhos.

Sinopse: O Que Resta de Nós conta a história de Jeanne, uma idosa de 74 anos que, após a morte de seu marido, enfrenta a solidão e a dificuldade de se adaptar à vida de viúva. Diante de problemas financeiros, ela decide alugar dois quartos de seu apartamento. Os novos inquilinos são Théo, um jovem de 18 anos que trabalha como aprendiz de confeiteiro, e Iris, uma jovem de 33 anos com um passado misterioso que trabalha como cuidadora.

A convivência entre essas três pessoas de gerações e histórias diferentes, e com suas próprias solidões, acaba criando uma amizade inesperada. Juntas, elas descobrem o poder da amizade, da aceitação e da superação, e como as ligações humanas podem transformar nossas vidas de maneira inesperada.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Tudo É Rio" de Carla Madeira


Minha opinião: Logo no início, eu me vi presa a um jogo de sentimentos e emoções tão intensos que não sabia bem o que estava acontecendo, mas sabia que estava envolvida. Tudo É Rio, de Carla Madeira, começa de forma forte e sem rodeios: uma das protagonistas é uma mulher que se define como puta – e acredite, é com essa palavra que ela se apresenta ao mundo. Mas esse não é um livro sobre estigmas ou moralidades simplistas. A autora, com uma escrita poética e profunda, mergulha em temas complexos como o medo, os limites entre certo e errado, e o que é dito e o que permanece em silêncio.

A trama flui entre histórias de mães, pais, filhos e conhecidos, onde cada narrativa se mistura com a outra, como uma conversa que perde o rumo, mas sem nunca perder o fio condutor da emoção. Carla Madeira constrói um enredo com muitas camadas – o sexo é tratado de forma crua e visceral, mas também com uma delicadeza inusitada, despertando sentimentos de pudor, fetiches e, principalmente, afeto.

Em alguns momentos, senti até vergonha de estar ouvindo o audiolivro, de tão intensas que eram as cenas de sexualidade – mas isso não fez o livro perder sua sensibilidade. Ao contrário, a autora consegue dar um tom tão bonito e íntimo a cada cena que, ao final, nos damos conta de que o livro não está só sobre sexo, mas sobre a desconstrução do que nos ensinaram sobre os corpos, as emoções e as relações humanas.

É um livro forte, que vai te deixar sem fôlego, e o melhor: a narração do audiolivro é maravilhosa, o que só torna a experiência ainda mais imersiva.

Eu queria saber mais, queria entender tudo o que estava acontecendo, queria ver onde as personagens iam se perder – e se reencontrar. Tudo É Rio é uma leitura que vai mexer com você de dentro para fora, e que, mesmo sendo intensa e, às vezes, desconcertante, é impossível de esquecer.

Sinopse:

A história de Tudo É Rio gira em torno de uma mulher que é chamada de puta, mas que vive sua vida com total liberdade. A narrativa vai e vem entre suas experiências e memórias, passando por relacionamentos familiares, afetivos e sexuais, e colocando em questão as construções sociais do certo e do errado. A obra é uma reflexão profunda sobre as emoções humanas, sobre o que nos define e nos aprisiona, e sobre os corpos e os desejos. Carla Madeira nos apresenta uma história intensa, sensível e poética, capaz de fazer o leitor repensar o significado de liberdade, afeto e intimidade.

domingo, 7 de setembro de 2025

Não me abandone jamais, de Kazuo Ishiguro


Minha opinião: Comecei a ler este livro porque me disseram que era uma boa obra de ficção científica. Confesso que, no início, a leitura foi sonolenta. Cada vez que abria o livro, me dava vontade de fechar os olhos. Já tinha uma ideia prévia da história, e fiquei pensando: talvez, se eu não soubesse exatamente do que se tratava, a experiência teria sido mais intensa. Não tenho certeza.

A narrativa é lenta, monótona até, mas percebo que isso é parte da crítica. É um livro que parece comum, normal, quase banal, mas esconde algo perturbador — e é justamente aí que está sua força. O tom melancólico e nostálgico vai crescendo, e quando percebi já estava pensando no tema até nos meus sonhos.

O que mais me deixou reflexiva foi a questão ética que o livro levanta: quem pode viver, de que jeito, quem tem direito a uma vida plena? Só reconhecemos direitos em quem acreditamos ter uma “alma”? Essa pergunta ficou martelando em mim.

Não sei se gostei do livro. É triste, porque não há esperança nem perspectiva para os personagens. É como se estivessem destinados desde sempre, sem chance de fuga. Talvez, se você ler sem saber exatamente sobre o que é, a experiência seja ainda mais impactante. Se fizer isso, depois me conte

Sinopse

Em Não me abandone jamais, Kazuo Ishiguro apresenta uma narrativa delicada e inquietante sobre Kathy, Tommy e Ruth, jovens que cresceram em Hailsham, um colégio interno aparentemente comum. Entre lembranças e relações afetivas complexas, vamos descobrindo pouco a pouco que esses alunos carregam um destino sombrio: são clones, criados para doar seus órgãos. De forma silenciosa e melancólica, o livro expõe questões profundas sobre amor, memória, dignidade e sobre o que significa, afinal, ser humano.


sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Mesmo Rio - Elizama Santos

Minha opinião: Ouvi Mesmo Rio pelo Audible e, sinceramente, a narração maravilhosa fez toda a diferença na experiência. O livro é um mergulho profundo sobre família, sobre os laços que nos unem e as histórias que cada um carrega consigo, dentro de uma mesma casa e ao longo da mesma vida. A autora nos mostra como cada pessoa tem a sua versão dos fatos, e como, mesmo convivendo tão proximamente, as percepções podem ser tão diferentes. A forma como lidamos com as situações, as dores, os amores, tudo é único e pessoal.

Eu me emocionei de verdade com esse livro. Chorei, refleti e fiquei intrigada. Me tocou de uma maneira que poucos livros conseguem. Muitas vezes, é difícil dar nome a certos sentimentos.
E mesmo sendo psicóloga, e estando em processo de análise, tem coisas que permanecem inomináveis. Eu fiquei feliz de poder encontrar na arte uma maneira de dar voz ao que é difícil de expressar. Mesmo Rio faz isso de maneira delicada e profunda.

É um livro que vou indicar sempre que puder, porque ele nos lembra da complexidade das relações humanas e de como, por mais que compartilhemos espaços e tempos, cada um de nós vive sua própria história.

Sinopse:
Em Mesmo Rio, Elizama Santos nos conduz por uma jornada de introspecção sobre as complexidades da família, das relações e das versões que criamos para nós mesmos. Vivendo lado a lado, mas com experiências e compreensões diferentes, os personagens buscam, de maneira sensível, entender o que é verdade, o que é passado e o que é realmente compartilhado. Através de uma narrativa profunda e delicada, o livro revela a beleza de encontrar o nome para o que, muitas vezes, parece inominável.


O Peso do Pássaro Morto - Aline Bei


Minha opinião: Foi numa tarde tranquila, no Sesc Jundiaí, esperando o horário de almoço, que eu me vi acolhida por um livro e um espaço único. A biblioteca tem cápsulas individuais, móveis que te envolvem, te deixam à vontade para ler, descansar, respirar. Era como se aquele momento fosse só meu, e nesse cenário íntimo, me deparei com O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei. Em 25 minutos, li o livro inteiro, mas posso garantir: não foi uma leitura rápida, foi uma experiência intensa, como um mergulho profundo.

A escrita de Aline Bei é uma poesia entrelaçada em cada página, cada verso. Pequenas palavras que se tornam grandes sentimentos. Não lembro o nome da menina da história, mas lembro do peso que ela carregava. Da leveza de ser criança e da densidade de crescer em meio a tantas dores e complexidades.

A dor da personagem é a dor de muitas, é a que habita em quem vive o mundo com a alma sensível e as lembranças pesadas. O que mais me tocou foi a forma como a autora consegue transformar sofrimento em beleza. O livro é triste, sim, mas ao mesmo tempo tão bonito que me fez chorar, como se fosse uma música que a gente escuta e não consegue explicar o porquê de chorar, mas chora mesmo assim.

Eu li o livro rapidamente, mas a sensação ficou. O Peso do Pássaro Morto é mais do que um livro, é um pedaço da vida, daqueles pedaços que a gente carrega e não sabe como deixar para trás.

Sinopse

Aline Bei nos apresenta uma narrativa em forma de poema, que conta a história de uma menina e os pesos que ela carrega ao longo de sua vida. Entre a dor e a beleza, o livro mergulha na complexidade da infância e na busca por sentido em um mundo onde o silêncio é mais pesado do que as palavras. É uma leitura que emociona, que toca, que não pode ser esquecida facilmente.