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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Minha Resposta ao Amanhã

Oi Gente! Finalmente vou colocar aqui o resultado final do projeto história coletiva: MINHA RESPOSTA AO AMANHÃ, eu o coloquei no Bookness, e gostaria muito que se puderem por favor divulgar, publicando no blog de vocês, ou comentando no facebook, twitter, Skoob, deixando o link para baixar gratuitamente e divulgar uma forma de criação de literatura diferente, mas ao mesmo tempo muito gostosa, que é a estória coletiva virtual. (Peço principalmente aos autores)
O livro também está à venda no http://www.bookess.com/read/10407-minha-resposta-ao-amanha/, caso ele venda algum exemplar, o valor do lucro será repassado para todos os autores, no entanto, como é disponibilizado gratuitamente, não sei se alguém irá adquirir impresso. Já que o preço impresso é de R$41,54 (carinho né?) e o lucro de cada exemplar é de R$3,46 (rs...) É, não é para ninguém ficar rico com isso, rs...

Obrigada a todos que participaram:

Quem quiser divulgar pelo Bookness é só ir no link http://www.bookess.com/read/10407-minha-resposta-ao-amanha/

Aqui está o Livro



Quem quiser divulgar com link também fique a vontade:

Aqui está o link para baixar

AQUI (Megaupload)


BEIJOS!!!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

História Coletiva- Rumo ao final


Olá gente!
Bem, estou aqui para dizer que pelo jeito o nome já está praticamente escolhido,
e ele deverá ser:
 "Minha resposta ao amanhã"
É isso mesmo?

Temos também duas capas para serem votadas:
(Eu gostei das duas, podemos até usar ambas se acharem legal, mas vou deixar aqui para vocês decidirem)

A primeira foi feita pela Erica:

A segunda foi feita por Fernando Hirakawa:


Então é isso por enquanto! Ah, a Sthephanie não respondeu meu email sobre a revisão do texto, então... Se alguém estiver disposto a fazer uma revisão, eu agradeço! Ou melhor, todos nós agradecemos!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

PROJETO: História Coletiva - FIM I


E chegamos ao fim da história coletiva hein!
Quer dizer quase né?
Bem, precisamos de um Título!
Todos podem dar susgestão, mesmo aquele que não participou do processo,
basta ler a história e dar um nome.
Também precisamos de um capa para divulgarmos a história Online né? Afinal,
ela pode e deve ser vinculada gratuitamente para todos não acham? Então quem se
habilita a tentar algo?
Todos terão os créditos viu! Terão o nome vinculado.
Em falar nisso, todos que participaram da história coletiva, concordam em divulgar a
história gratuitamente para quem quiser ler?


Também tenho mais uma nóticia! A Stephanie Sá se ofereceu para fazer
uma revisão em toda história, bem, queria saber se ainda está disposta a isso, todos nós agradecemos.

Pensei que no texto final, primeiro ficaria a história em si e depois seguia o processo de criação, afinal, as duas são importantes não é mesmo? O que acham?
E agora finalmente a história coletiva com seu final.
E só esperando os acertos finais hein?


ACESSE TODA A HISTÓRIA COLETIVA - SEM REVISÃO
BAIXE AQUI (Megaupload)

 
ACESSE A HISTÓRIA COLETIVA DO COMEÇO JUNTAMENTE COM TODO O PROCESSO DE CRIAÇÃO
BAIXE AQUI (Megaupload)

Bem, fico por aqui e espero a juda de vocês!
Beijos

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PROJETO: História Coletiva - ETAPA FINAL

Pois eh, estamos na etapa final, eu achei que poderiamos acabar nessa semana, mas acho que ainda faltam algumas coisas, por isso vou deixar aberto até quando acabarmos - Mas a história tem que acabar até o fim de Julho, se não eu e meu irmão iremos escrever o final, ok? - Por isso, todo mundo que está envolvido ou que queria iniciar agora a participar do projeto já pense no rumo final da história, certo?

CERTO! VOCÊ AINDA NÃO SABE O QUE É O PROJETO HISTÓRIA COLETIVA? então acesse AQUI e descubra e comece a participar também. Afinal, você pode dar sua opinião, sugestão ou um trecho e mudar completamente o rumo da estória, só que para melhor, imagina?

OBS: Quero lembrar que nesse projeto muitas vezes a sugestão ou opinião que damos pode ser aceita ou não, ou pode ser alterada parcialmente e isso que é o mais importante nese projeto, já que é algo grupal. No entanto se você se sentiu ofendido (a) ou incomodado(a) com alguma coisa pode me mandar um email (paulatictic@hotmail.com) que discutiremos a situação.

QUER ACESSAR A HISTÓRIA COLETIVA DO COMEÇO ATÉ AGORA?
BAIXE AQUI (Megaupload)

QUER ACESSAR A HISTÓRIA COLETIVA DO COMEÇO JUNTAMENTE COM TODO O PROCESSO DE CRIAÇÃO?
BAIXE AQUI (Megaupload)

Você ainda não participou? COMECE AGORA! Deixe um comentário com sua idéia, sugestão, opinião, trecho e contribua para ser também autor dessa história.

-Não é só isso Léo! Você percebe agora por que eu queria que você ficasse longe dessa bagunça?

-Júlia, nós já falamos sobre isso...
-Sim, mas eu preciso reforçar a idéia do quanto perigoso está essa busca. Além deles saberem que somos nós, a ponto de me roubarem na rua, eles também sabem o que nós estamos planejando. Léo, nós estamos um passo atrás deles! –Falou afobada.
-Você está convencida sobre tudo isso?
-Não tenho mais dúvidas! -Respondeu Júlia. -Eles sabiam de nossos dons, e decidiram mudar o local para nos despistar! Talvez eles até estejam por trás do sumiço dos seus sonhos!
-Também estou achando o mesmo, e agora? Precisamos salvar a vítima!
-Vou pensar em algo. Fique em casa, Léo! Você já está encrencado o suficiente com seus pais. Qualquer coisa eu te ligo.
-Mas...
-Tchau! -Desligou.
Léo ficou parado com o celular no ouvido por mais alguns instantes. Para que soubesse de seu dom, o homem que roubou o celular de Júlia devia conhecer alguém parecido, talvez até fosse um deles.
Ele passou as horas seguintes fazendo pesquisas inúteis na internet, tentando encontrar alguma pista do lugar do novo minuto final. Mas não houveram resultados. E sem seus sonhos, Léo não poderia fazer nada realmente útil para a investigação.
Não desceu para jantar, o que irritou seus pais ainda mais. Desanimado, Léo se deitou e em pouco tempo, dormiu.
Acordou. Mas ainda estava com os olhos fechados, não queria abrir os olhos por que tinha medo de que não estivesse no sonho, e estivesse novamente no real. E foi isso que aconteceu.
Léo ficou parado com os olhos abertos esperando por algo, talvez uma grande idéia, ou talvez nada, ele sentou na cama e coçou a cabeça e depois os olhos e quando ia se levantar o seu celular começou a tocar.
Ele o pegou e viu um número desconhecido, pegou o telefone e atendeu.
-Léo? –Júlia perguntou ansiosa do outro lado da linha.
-Júlia?
-Sim, sou eu. Olha só...
-Que telefone é esse? -Léo perguntou enquanto pegava os seus oculos com a outra mão.
-Eu comprei um novo celular e sabe o número também mudou - Ela disse – Mas eu não liguei para isso, eu liguei por que eu acabei de descobrir o nome do dono do carro.
-Que ótimo! –Ele disse ficando mais alerta. –E qual o nome?
-Auclides de Souza Mendes.
-O quê? –Ele soltou imediatamente, sem pensar.
- Léo, você o conhece? –Ela perguntou com um tom de preocupação.
Ele hesitou um momento tentando manter as idéias em ordem, mas não conseguiu.
-Léo? Me responde, você reconhece esse nome?
-Sim. –A sua voz saiu um pouco rouca.
-Meu Deus! E quem é?
-O psicólogo que me ensinou tudo sobre o meu dom.

Léo estava olhando seu relógio de pulso e vendo os ponteiros se mexerem lentamente esperando que o tempo passasse mais rápido para que ele encontrasse logo a Júlia. Eles haviam combinado pelo telefone de se encontrarem depois da escola de Léo em frente ao consultório do Auclides.
Após uma espera agonizante, Júlia apareceu trajando uma roupa chique, estava com os cabelos soltos e uma maquiagem que a deixava muito mais bonita.
-Eu achei que fosse esperar uma eternidade por você, Júlia.
-Olá para você também Léo. Como conseguiu convencer os seus pais a deixar você vir aqui?
-Eu os convenci que seria bom visitar um psicólogo depois de quase morrer no incêndio.
-Ótima idéia. Mas... –Ela continuou a falar preocupada. –Como você está se sentindo?
-Júlia eu estou bem! Não aconteceu nada sério não é mesmo?
-Léo, você morreu no seu sonho, e morreria de verdade se eu não tivesse quebrado a parede com o meu jeep. Você não precisa estar bem, todos nós entenderemos se você...
-Júlia por favor, vamos fazer o que viemos fazer?
-Está bem.
Os dois entraram no consultório e se dirigiram ao balcão, onde uma atende os cumprimentou sorridente:
-Boa tarde! No que posso ajudá-los?
-Oi, nós queremos marcar uma consulta. –Júlia respondeu. –Tem como ser hoje?
-Que sorte a de vocês! Um paciente acabou de cancelar a consulta dele, tenho um horário agora mesmo, pode ser?
-Perfeito!
-Vocês vão entrar juntos ou...?
-Juntos.
-Ótimo. O pagamento...
-Pode ser cartão de crédito?
-Sim.
Júlia pagou a consulta, e Léo ficou um pouco envergonhado por não colaborar com o dinheiro. Depois de tudo pronto, a atendente saiu de trás do balcão e pediu para eles a acompanharem. Seguiram por um corredor até chegarem em uma porta, ela bateu de leve e depois abriu.
Júlia e Léo entraram e a atendente fechou a porta atrás deles.
Auclides estava sentado atrás de uma mesa, e olhou-os sorrindo.
-Olá! Entrem, entrem. Fiquem à vontade.
-Oi senhor Auclides.
-Oi. –Léo respondeu acanhado.
Eles sentaram cada um em uma cadeira.
-Vocês são Júlia e Leopoldo, certo?
-Certíssimo! Nós viemos aqui porque os pais do Leopoldo te indicaram e só o elogiaram.
-Que maravilha! Eles me consultaram há muito tempo?
-Na verdade, eu que me consultei com o senhor. –Léo respondeu baixo.
-Você? Bem que eu achei que você era familiar.
-E nós resolvemos voltar aqui porque o Léo ficou preso em um incêndio alguns dias atrás e eu, junto com os pais dele, estamos preocupados que ele possa apresentar algum problema decorrente desse trauma.
-Qual foi o motivo da primeira visita?
Júlia olhou dentro dos verdes olhos do Léo, e ele ficou incerto sobre o que responder.
-Eu... –Ele começou e parou em seguida.
-Não tenha medo, Leopoldo. Nós estamos aqui para ajudá-lo.
-Eu sofri um acidente de carro, não foi nada sério, mas eu não conseguia sair de casa depois.
Léo percebeu que os olhos do psicólogo brilharam e seu lábio inferior tremeu.
-Infelizmente, tenho vários casos parecidos e não me lembro de ter cuidado de você.
-Ah, que pena. –Júlia respondeu.
-Mas e esse incêndio? Você já estava dentro do lugar quando começou?
-Não, eu ouvi uma mulher gritando e entrei no mercado para salvá-la.
-Temos aqui um herói! Mas não seria melhor esperar pelos bombeiros? Os nossos impulsos não incluem arriscar a nossa própria vida pela vida de desconhecidos.
-Na hora eu pensei que os bombeiros não chegariam a tempo e eu precisava salvar aquela mulher.
Auclides sorriu com o canto dos lábios, como se estivesse se divertindo.
-E o que mais aconteceu? Consegue falar sobre isso?
-Eu a levei para dentro do escritório porque o fogo ainda estava longe de lá.
-E depois? –Os olhos dele brilharam novamente. Júlia estava em silêncio prestando atenção.
-Depois a Júlia jogou o jeep dela na parede do escritório e os bombeiros nos levaram para a rua.
-Como está o seu relacionamento com o fogo? Algum problema?
-Não, está tudo normal.
-Você está tendo algum tipo de... –Ele pronunciou a palavra devagar. -Pesadelo?
Léo sentiu-se desconfortável. “Como ele poderia saber?”
-Nenhum pesadelo, apenas... sonhos.
Foi a vez do psicólogo se mostrar desconfortável, os lábios que antes sorriam, agora estavam formando uma linha reta.
-O senhor acha que ele pode desenvolver algum trauma? –Júlia perguntou.
-Eu acho que não, Júlia. O Leopoldo parece bem para quem quase morreu em um incêndio.
Eles conversaram por mais meia hora sobre assuntos banais, despediram-se com apertos de mão, e finalmente na rua Léo suspirou fundo. “Definitivamente tem algo estranho com ele”.

domingo, 12 de junho de 2011

PROJETO: História Coletiva - 10/2ª semana

Bem, essa semana deveria ser a última, mas eu acho que seria melhor colocar mais uma semana, o que vocês acham? Porque pelo jeito falta um pouco mais para chegar ao fim da nossa história, então é melhor dar mais um tempo para fazermos algo melhor do que "nas coxas" né? Tudo bem para vocês?
 
CERTO! VOCÊ AINDA NÃO SABE O QUE É O PROJETO HISTÓRIA COLETIVA? então acesse AQUI e descubra e comece a participar também. Afinal, você pode dar sua opinião, sugestão ou um trecho e mudar completamente o rumo da estória, só que para melhor, imagina?

OBS: Quero lembrar que nesse projeto muitas vezes a sugestão ou opinião que damos pode ser aceita ou não, ou pode ser alterada parcialmente e isso que é o mais importante nese projeto, já que é algo grupal. No entanto se você se sentiu ofendido (a) ou incomodado(a) com alguma coisa pode me mandar um email (paulatictic@hotmail.com) que discutiremos a situação.

QUER ACESSAR A HISTÓRIA COLETIVA DO COMEÇO ATÉ AGORA?
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Você ainda não participou? COMECE AGORA! Deixe um comentário com sua idéia, sugestão, opinião, trecho e contribua para ser também autor dessa história.
 
Ele discou rapidamente o número de Júlia, que atendeu após três toques.
- Júlia, sou eu! Ontem eu tem encontrei no Flores de Outono?
- Sim... Pelo menos, eu acho que sim. Eu pude jurar que estava sonhando!
- Eu também achei que era um sonho, até que levantei e escutei meus pais falando sobre minha saída que eu jurava nem tinha acontecido!
- Sério? Deus, o que está acontecendo?
De repente, uma voz grossa, de homem, falou no lugar de Júlia.
- Isso é o que acontece quando vocês tentam me achar. Desista de sua busca, ou só irá piorar as coisas.
Léo tentou responder, mas a ligação caiu.
Léo olhou para o celular em suas mãos e sentiu seu peito se apertar “o que teria acontecido? Será que a Júlia estava bem?” Léo ficou preocupado. “Quem era o homem que falou com ele? O que houve com a Júlia?”. Ele pegou o telefone e discou para a Júlia de novo. Ninguém atendeu. Tentou novamente e nada. Decidiu que iria fazer algo a seguir, mas estava tão confuso, não sabia como lidar agora que estava no real e não tinha mais o seu sonho para se basear, era estranho, era normal demais.
Ele nunca havia passado por uma situação assim... passar por um dia sem saber o que iria acontecer, ou viver no sonho como se sempre houvesse uma segunda chance para mudar tudo, e agora, nesse momento, em que olhava para o seu celular e via que era outro dia e não mais o dia anterior, sua cabeça começou a pesar e Léo decidiu que iria passar o dia normalmente e que com certeza tudo iria melhorar.
Ele respirou fundo, lavou o rosto, colocou os óculos e desceu para a cozinha. Seus pais o olharam ressentido. Léo tentou evitar o olhar deles, por que sabia que no dia anterior havia feito muita coisa que não faria em um dia real, como gastar muito dinheiro, discutir com os pais, além de deixá-los muito preocupados. E agora era o momento da conseqüência, por isso olhou para os próprios pés ao invés de olhar para os pais.
-Bom dia. –Ele falou baixo.
-Bom dia. – Respondeu sua mãe secamente.
- Espero que hoje seja mesmo um dia bom - Seu pai falou rispidamente – não pense que eu esqueci o que aconteceu ontem...
- Mas... – Léo tentou se desculpar mas o seu pai o impediu levantando uma mão para ele se calar e foi o que ele fez, se calou.
- Não quero saber de mais e nem de menos, quero apenas que você vá para a escola e volte direto para a casa – Léo viu o olhar severo dele – está entendendo? Direto para casa. - E saiu para trabalhar sem dizer mais nada.
- Se deu mal hein? – Disse sua irmã rindo enquanto tomava seu leite quente e fazia um bigode de leite – Ninguém manda não obedecer, eu sempre obedeço.
- Não enche – Ele disse tomando um copo de café que desceu como uma pedra.
- Não fale assim com a sua irmã Leopoldo! – Sua mãe falou nervosa e Léo viu a sua irmã dar um sorriso malicioso – E trate de comer logo para não se atrasar na escola, eu te levo hoje.
- Tá. – Ele disse sem ânimo e só deu uma mordida em uma fatia de torrada e deixou o restante na mesa, se arrumou e foi para a escola com a mãe.
No caminho, ele estava inquieto tendo uma sensação de que algo estava errado e que de uma hora para outra tudo poderia acontecer, na verdade tudo isso se devia pelo fato dele não saber mais sobre como lidar com seu próprio futuro, por que até no dia anterior Léo de certa forma sabia que poderia mudar o seu futuro e seu destino, mas agora nada parecia certo. Sua mãe não disse nada durante o percurso, as vezes parecia que ela iria dizer algo, mas do mesmo jeito que sua boca se abria silenciosamente, ela também se fechava e  Léo não estava interessado em discutir mais sobre o que havia acontecido. Quando desceu do carro ele começou a dar passos apressados em direção a escola enquanto no seu intimo esperava ansiosamente para que o dom voltasse no dia seguinte.
Seus amigos passaram o dia inteiro pedindo para ele contar como havia escapado do incêndio, a história correu a escola inteira e todos queriam saber do herói que entrou dentro de um supermercado para salvar a vida de uma mulher.
Mas Léo não estava com cabeça para tudo isso, ele fez o que precisava fazer e aparentemente isso custou caro. E o preço foi perder o seu dom – pelo menos por hoje, era o que acreditava - Justamente agora que o espancamento estava tão próximo de acontecer, e não havia quase pistas para poder impedir. Além disso, ele não conseguiu prestar atenção em nada, os professores pareciam estar falando outra língua no dia de hoje, a única coisa que conseguiu fazer foi discar para o número de telefone da Júlia que sempre caía na caixa postal.
Assim que saiu da escola viu Júlia parada em pé do outro lado da rua – e sentiu um alivio instantâneo - seu cabelo estava preso em um coque como normalmente, mas estava com uma aparência cansada e triste, ele acreditou que ambos estavam muito parecidos nesse sentido. Ele deu passos firmes na direção dela.
-Júlia, você está bem? O que aconteceu hoje de manhã?
-Oi Léo. Alguém roubou o meu celular enquanto eu andava pela rua. Não sei direito o que houve. Eu estava andando e falando com você, quando um homem passou, agarrou o meu celular e saiu correndo. – Ela disse e colocou uma mecha que estava caindo do seu coque atrás da orelha.
-Você já foi à polícia prestar queixa?
-Sim, mas como eu não vi o homem será difícil achá-lo. Os policiais me disseram que foi roubo de oportunidade.
-Eu não acho. – Ele disse, se decidindo se contava ou não o que tinha acontecido.
-Por que Léo? O que você sabe que eu não sei? – Júlia franziu as sobrancelhas.
-O homem, ele falou comigo depois de roubar o seu celular – Ele disse por fim, afinal, não tinha por que esconder algo assim.
-O que ele disse?
-Algo como “isso é o que acontece quando vocês tentam me achar”, e nos mandou esquecer tudo – Ele disse e ajeitou a mochila nas costas – Fiquei preocupado com você, não sabia direito o que pensar...
- Eu estou bem, mas agora eu fiquei confusa... Eu nem olhei direito para o cara que me roubou, nem imaginei que ele seria... – Ela se calou.
- O que foi Júlia?
- Você acha que ele poderia estar falando sobre o minuto final do espancamento?
Léo pensou por um momento e tentou se lembrar com detalhes do que o homem havia dito ao telefone, uma ameaça estranha se ele não estivesse no contexto do espancamento.
- Acho que pode ser – Ele passou as mãos pelos cabelos nervosamente – não sei na verdade.
-Quem pode ser? O espancador talvez?
-Talvez. Mas como ele saberia quem somos nós e que nós estamos atrás dele? – Ele fez a pergunta em voz alta, mas parecia que era mais para ele mesmo do que para outra pessoa – E se ele soube que estamos procurando o dono do carro pela placa?
- Isso é possível – ela disse estralando os dedos - Eu consegui o endereço do dono do carro que eu vi no meu sonho.
-Uau! Isso é ótimo! É daqui da cidade?
-Sim, é de um bairro afastado.
-Qual o nome dele?
-Léo, eu sei que isso é importante, mas acho melhor você ir para casa. – Ela falou em um tom decidida.
- O quê? Mas por quê? – Léo deu um passo para trás tentando olhar com atenção para Júlia como se fosse encontrar uma resposta pelo olhar dela.
- Eu acho que... Bem, eu estou agora achando isso tudo muito perigoso e você é tão jovem e eu não quero...
- Não quer o que? Não quer a minha ajuda?
- Não é isso! – Ela falou levantando a mão para ele se acalmar - Mas o fato é que estou pressentindo algo estranho sabe? Estou agora pensando sobre tudo isso e...
- E o que? – Léo não queria agora ser deixado de lado como se fosse um estorvo, e principalmente agora que não tinha certeza como se daria com o seu dom, se ele teria de volta rápido ou não.
- E se esse homem, bem, e se... – Ela se encostou na parede - A não ser que...
-A não ser que o que Júlia?
-Léo se eu e vocês vemos o futuro, quem sabe ele também não vê?
- Mas acho isso meio improvável Júlia – Léo disse dando um sorriso com o canto da boca – Bem... – Ele coçou a cabeça de um jeito desajeitado – isso também me lembrou uma coisa... – Léo esperou Júlia dizer alguma coisa, mas ela ficou calada esperando ele continuar e foi o que ele fez – Lembra sobre o que estávamos conversando no telefone hoje cedo?
- Lembro, você me falou algo sobre o que fizemos ontem, não foi? – Ela perguntou o encarando.
- É, isso mesmo – Léo hesitou um momento então continuou – Bem, eu perguntei aquilo por que aconteceu algo estranho hoje, eu acordei direto, no dia seguinte...
- Como assim? O que isso tem demais?
- É que ontem eu te disse que estavamos no sonho, bem, no meu sonho. Foi isso pelo menos que eu pensei – Léo respirou fundo – e hoje deveria ser o real e tudo iria acontecer tudo de novo...
- Espera um minuto – ela ergueu uma mão para ele se calar – você está me dizendo que você pensou que estava no sonho ontem, mas na verdade era tudo real? E que você não sonhou mais? – Júlia começou a expressar uma feição desesperada.
- Eu estou tendo pesadelos, mas não os sonhos do dia seguinte...
- Meu Deus! – Júlia disse dando um empurrão no Léo – Você perdeu seu dom?
- Não sei, mas por enquanto sim... acho que sim, mas talvez amanhã... – Na verdade Léo não tinha certeza de nada, mas tentava dizer isso para ele mesmo acreditar.
- Não sabe? Mas eu sei! Você agora vai ficar fora de tudo isso! Não quero saber de você se metendo mais nisso, ouviu?
- Não! – Léo quase gritou isso – Eu não vou parar nada!
- Vai sim! Você não percebe que está agora em perigo? Você nem sabe o que vai acontecer a seguir não é?
Ele balançou a cabeça negativamente, mas depois de um segundo estufou o peito e começou a dizer: - Eu vou continuar a procurar e não me interessa se você acha perigoso, eu vou mesmo assim.
- Mas é sobre isso mesmo Léo... acho melhor você não participar mais da investigação...
-O quê? Por quê? –Ele perguntou incrédulo.
-Porque você não tem mais o seu dom. Foi por causa dele que eu te procurei.
-Só porque eu não vejo mais o futuro você vai me descartar?
-Não é assim Léo. Você pode se machucar. Se a pessoa que procuramos é a mesma que roubou o meu celular, então ela é perigosa!
-Júlia, eu já estraguei tudo ontem, ok? Meus pais estão bravos porque eu fiquei o dia inteiro fora e não falei nada, a minha namorada está magoada comigo e a minha irmã está pronta para me entregar se eu fizer algo errado. Eu preciso terminar essa história ou não vou conseguir esquecer isso pelo resto da minha vida.
-Tem certeza que quer continuar? Léo... isso pode ficar muito perigoso.
-Tenho certeza absoluta. Por favor, não me exclua da investigação.
- Não sei – Ela olhou em volta, como se fosse encontrar uma solução, mas não achou nada – Bem, você pode continuar, mas terá que ficar com o dobro de atenção.
- Eu vou ficar!
- Eu também ficarei de olho em você.
-Obrigado, e eu não me importo de você ficar de olho em mim – Ele disse mais aliviado.
- Agora, eu acho melhor eu procurar mais dados sobre o dono do carro e depois entro em contato com você.
- Tudo bem Júlia. Até depois.
-Até Léo.
Léo foi para casa pensativo, seus pais estavam trabalhando mas assim que chegou sua irmã ligou para eles avisando que ele chegou em casa. Almoçou com ela e depois ligou para Kelly.
-Oi Kelly.
-Oi Léo. O que foi?
-Eu só queria saber como você estava.
-Estou bem, obrigada. –Ela respondeu fria.
-Kelly, eu realmente sinto muito pelos últimos dias, tem sido uma loucura para mim, e...
-Léo eu estou ocupada agora. Depois nós nos falamos.
-Tudo bem Kelly. Até depois.
-Tchau. –E desligou.
Léo pensou no que poderia fazer em seguida para ajudar Júlia no caso. Ligou seu computador, entrou na internet e procurou sobre o clima. Achou um site bom e descobriu que amanhã à noite teria pancadas de chuva. Seu coração deu um pulo, na mesma hora o telefone dele vibrou no seu bolso e ele viu na tela o número da Júlia.
- Oi Júlia, que boa hora que você ligou, por que eu acabei de ver na internet que...
- Léo... Não tenho tempo para isso!
- Nossa! – Ele achou a Júlia muito estranha e grosseira também, mas pensou que talvez tivesse algo haver com o dono do carro – Você tem novidades sobre o dono do carro?
- Não é nada disso! É sobre o espancamento! Ele não vai acontecer mais do jeito que eu vi pela primeira vez...
- Como?
- Me deixa falar! Ele não acontecer mais naquele lugar que eu te disse... Eu tive outro minuto final com as mesmas pessoas, só que agora é em outro lugar.
- Mas como isso é possível? – Ele ficou pensativo.
- O futuro mudou.
- O futuro mudou? – Léo deu um tapa na própria testa – Os homens que vão matá-lo deveriam saber que estávamos atrás deles e decidiram matá-lo em outro lugar, não é isso?
 

domingo, 5 de junho de 2011

PROJETO: História Coletiva - 9ª semana

Bem, chegamos ao fim de mais uma semana e ao começa de outra, e agora só faltam duas semanas para o fim da história coletiva e como estamos indo rumo ao final é interessante que pensemos sobre como se dará esse final? Eu pensei em deixar algo em aberto, sabe? Como por exemplo sem um fim certo, como a Júlia falando com o Léo que teve outro minuto final e falando uma frase marcante que pontuasse o final e que eles continuariam, o que acham?

CERTO! VOCÊ AINDA NÃO SABE O QUE É O PROJETO HISTÓRIA COLETIVA? então acesse AQUI e descubra e comece a participar também. Afinal, você pode dar sua opinião, sugestão ou um trecho e mudar completamente o rumo da estória, só que para melhor, imagina?


OBS: Quero lembrar que nesse projeto muitas vezes a sugestão ou opinião que damos pode ser aceita ou não, ou pode ser alterada parcialmente e isso que é o mais importante nese projeto, já que é algo grupal. No entanto se você se sentiu ofendido (a) ou incomodado(a) com alguma coisa pode me mandar um email (paulatictic@hotmail.com) que discutiremos a situação.


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Você ainda não participou? COMECE AGORA! Deixe um comentário com sua idéia, sugestão, opinião, trecho e contribua para ser também autor dessa história.

E aqui está a continuação, mas antes quero dizer que a história continuou com um trecho do Mateus Lopes e depois a narrativa foi escrita por Fernando Hirakawa - meu irmão - e por mim, por que ninguém enviou uma continuação - sentimos sua falta Lii!


O médico disse que Léo deveria passar a noite no hospital, para garantir que tudo estava bem. Um curativo foi feito em sua queimadura e ele foi encaminhado a um quarto.
Seu pai voltou ao trabalho, mas sua mãe decidiu ficar. Kelly chegou no meio da tarde, um pouco mais preocupada que a mãe do rapaz. Depois de um cansativo interrogatório envolvendo o doutor, ela se convenceu de que o namorado estava bem, e insistiu em ficar com Léo aquela noite para que seus pais descansassem.
-Tem certeza, Kelly?-perguntou a mãe- Você também precisa dormir.
-Pode deixar, dona Gomes, eu cuido bem do Léo.
-Não se preocupe, mãe - emendou Léo.
-Hum... Está bem. Comportem-se, crianças.
Algumas horas depois, Kelly dormia a sono solto na poltrona do quarto. Exausto, Léo também se permitiu fechar os olhos.

Léo estava em um lugar escuro, estava sozinho, ele tentou chamar por alguém, mas ninguém apareceu, ele olhou ao redor sentindo um medo estranho, medo de algo desconhecido. Ele viu que era uma estrada de barro, mas que de repente se tornava um galpão, ele sentiu um calafrio e ouviu um grito alto, uma voz conhecida, um pedido de socorro. Léo virou o rosto em direção ao grito, mas não conseguia sair do lugar, não conseguia abrir a boca para falar, ele viu a Júlia caída no chão com sangue ao seu redor, ele queria ir ajudá-la, mas suas pernas não mexiam, era como se estivesse pregado no chão, seu coração batia acelerado e uma agonia crescente subia em sua garganta, enquanto Júlia pedia, implorava que ele a ajudasse, mas ele não podia, não conseguia...

Léo abriu os olhos e sentiu ainda a dor do pesadelo na sua cabeça, estava confuso, colocou as mãos na cabeça tentando se localizar, tentando entender o que estava acontecendo. Não entendia o que era aquilo que tinha passado, era um sonho diferente, não parecia que era seu dia normal, não parecia com nada do que conhecia, tentou entender, mas não conseguia comparar com nada. Sentou-se na cama e olhou ao redor, pegou seus óculos que estava em um criado mudo ao lado da cama e o colocou no rosto e percebeu que não havia ninguém no quarto... do hospital. Lembrou-se como havia parado ali e ficou ainda mais confuso, tateou a cama e a cabeceira e achou o botão que achou ser aquele se chamava a enfermeira, o apertou.
Alguns minutos depois uma mulher vestida de jaleco branco entrou no quarto, ela aparentava ter uns quarenta anos e tinha um sorriso calmo no rosto, Léo a olhou e esperou que ela dissesse algo.
- O que aconteceu rapaz? – Ela perguntou, olhando alguns papeis em uma prancheta – Está sentindo alguma dor?
- Eu não estou me sentindo muito bem, aconteceu uma coisa estranha – Léo hesitou por um momento, pensando em como falar sobre o que tinha passado a pouco – Parece que eu estava em outro lugar, estava vendo umas coisas estranhas e parecia que não conseguia controlar o meu corpo, era sem ordem e de repente eu já estava em outro lugar, sem mais nem menos e...
A enfermeira a olha confusa e ele para de falar achando que estava falando algo muito terrível, mas a enfermeira franziu a testa e disse:
- Por acaso você teve um pesadelo?
- Pesadelo? – Léo perguntou sem entender direito.
- Sim, um pesadelo. E pela sua cara parece que foi algo terrível hein? – Ela o encara com um olhar de cuidadosa e vai até o lado da sua cama e pega um copo d’água e entrega para ele que bebe com as mãos trêmulas – Não se preocupe, isso acontece quando se passa por algo assim tão traumático, como deve ter sido o incêndio do qual passou – e pega o copo da mão dele e sorri enquanto sai do quarto.
Léo se ajeitou na cama e pensa no que a enfermeira disse e nem acredita que teve um pesadelo, afinal, foi a primeira vez que teve um sonho normal, e não gostou muito disso. Por isso tentou afastar a lembrança daquele sonho, achando que não era nada demais e que realmente tinha haver com o dia anterior que teve.
Logo em seguida, sua mãe entrou no quarto acompanhado de um médico que avisou que ele teria alta, já que não teve ferimentos graves, apenas alguns arranhões e que dessa maneira já poderia voltar a rotina de vida normal. A mãe dele suspirou aliviada e disse que logo estariam indo para casa.
Léo ficou feliz por saber que estava bem, mas na sua cabeça agora só estava a idéia de achar o local onde ocorreria o minuto final que Júlia havia previsto, em tinha em mente algumas coisas que poderia fazer, já que acreditava estar no “sonho” e que poderia repetir tudo corretamente no dia seguinte e ele não poderia perder o tempo sem fazer nada do dia de hoje, por isso que assim que chegou em casa e entrou no quarto enquanto sua mãe ia para cozinha fazer o almoço, Léo tomou uma ducha rápida, vestiu uma roupa confortável, pegou dinheiro e desceu as escadas em direção a porta para sair para a rua.
- LEOPOLDO! – gritou sua mãe assim que o viu tocar na maçaneta da porta – Onde você pensa que vai?
- Vou sair. – E abriu a porta.
- Você acabou de chegar do hospital e já vai sair? Você está louco? Trate de subir para o seu quarto e...
- Estou saindo mãe, e não se preocupe– E sai para a rua, ouvindo os protestos da sua mãe e sabendo que como estava no seu sonho mesmo, no dia seguinte a mãe nem iria lembrar-se disso.
Léo andou até uma cafeteria que sabia que tinha acesso a internet e enquanto pedia um café bem forte – por que achava que a dor de cabeça que sentia podia passar com um café forte – e também pediu um sanduíche simples para acompanhar.
Ele se sentou de frente para o computador e procurou por estradas próximas da cidade, quando a garçonete veio entregar o pedido, ele pediu se ela teria papel e caneta, o qual ela trouxe logo em seguida. Léo anotou os endereços no seu papel e depois de engolir tudo e não achar mais nenhum endereço que poderia levar ao local do espancamento, ele pagou a conta e saiu do café em direção ao ponto de táxi, por que como estava no sonho ele sabia que todo o dinheiro que estava gastando, na verdade não estaria e no dia seguinte quando fosse a realidade, ele teria o dinheiro e saberia as respostas. Por isso pegou o táxi e pediu que o levasse ao primeiro endereço, e em cada endereço que ele ia, Léo tirava algumas fotos com seu celular e às vezes quando achava que poderia ser o certo, filmava alguns segundos em volta para depois mostrar para a Júlia, afinal, ela era a única que tinha visto o local de verdade.
Quando estava escuro, Léo tinha visitado cinco lugares que achou que poderiam ser os possíveis, mas como já estava muito tarde, ele decidiu ir atrás da Júlia. Ele pagou o táxi, o qual custou muito caro, mas ele nem ligou.
Léo estava sentando em umas das cadeiras do café Flores de outono, olhando em seu celular as fotos que tinha tirado dos locais, quando a Júlia chegou, depois de meia hora da ligação dele. Léo anteriormente ligou para sua casa e para a namorada depois que viu que havia centenas de ligações no celular dele, ligações que ele nem se deu ao trabalho de atender, por que achava que seria perda de tempo.
- Léo – Júlia jogou a bolsa em outra cadeira e se sentou de frente para ele – Você não devia estar descansando?
- Bem, para você eu posso dizer que eu estou no sonho agora e portanto, nada disso está realmente acontecendo de verdade, quer dizer, está para mim... Olha só, o que eu quero dizer é que você não precisa se preocupar com nada.
- Eu acho tão estranho estar no seu sonho, sei lá, eu não me lembro de ter estado no seu sonho antes, pelo menos que você tenha falado isso para mim, sempre pareceu que você já tinha estado no sonho... Isso é tão confuso – Ela balança um pouco a cabeça e sorri – É realmente estranho.
- Eu imagino, afinal você não tem mesmo como se lembrar de nada, só eu que me lembro de tudo... – Ele ajeitou os óculos no rosto e depois torce as mãos lembrando-se do pesadelo que havia tido mais cedo, mais preferiu não contar nada para ela e continuou a falar - Mas eu te chamei aqui por que queria te mostrar uma coisa – e mostrou as fotos e os vídeos no celular para ela – Eu pensei que se fosse nas principais estradas que ainda são de terra aqui por perto e tirasse foto, talvez você fosse reconhecer, não sei, mas achei que era uma chance.
Ela olhou as fotos atentamente, mas Léo podia ver a decepção no rosto dela, já que em cada foto ela deixava os lábios caírem mais e seu rosto podia se ver uma nítida sombra de tristeza, logo depois ela entregou o celular dele e balançou a cabeça negativamente.
- Não é nenhum desses lugares Léo.
- Poxa... – Ele disse segurando o celular entre as mãos, e o olhava como se pudesse fazer as fotos mudarem de repente para mostrar o lugar certo, ele se sentiu derrotado.
- Olha só Léo, eu também tive fazendo algumas pesquisas e procurei vários locais que haviam prédios em construção, vi fotos, mapas, mas não achei nada semelhante ao que eu vi no minuto final.
- Júlia – ele diz e coloca uma mão em cima da mão dela que estava descansando em cima da mesa – Não precisa ficar preocupada, eu sei que é horrível não conseguirmos achar esse local por enquanto, mas lembre-se que eu tenho o dobro de tempo para tentar achar a resposta, e você também pode ter, hoje no real eu irei te ligar cedo e direi para você não procurar sobre o que procurar e tentar outras coisas, assim teremos mais chances.
- Obrigada. Eu vou confessar que é muito bom ter alguém com quem dividir essa preocupação, mas também vou confessar que continua muito estranho pensar que estamos em um sonho seu.
Ele sorri e tira a mão que estava sobre a dela e coloca o celular no bolso e respira fundo.
- Eu sei que é estranho, mas eu meio que já me acostumei, acho que seria mais estranho se não tivesse mais os sonhos... aí sim seria estranho.
- Hum... Acho que uma vez que você aceita seu dom, ele passa a ser parte da sua vida... ah, pelo menos comigo foi assim.
- Acho que... Comigo também. – Ele finalmente concorda com isso, talvez mais para si mesmo do que para
a Júlia.
Eles se despedem com a garantia de que no dia seguinte tentariam outras maneiras de encontrar o local.
Léo sabia que assim que chegasse em casa, acabaria tendo que ouvir várias coisas que não queria, olhou no relógio e agradeceu por ser tão tarde e sabia que poderia tentar se trancar no quarto e evitar escutar os sermões da família, por que quando acordasse nada daquilo estaria mais presente.
Ele abriu a porta e viu sua mãe e seu pai com os rostos mais vermelhos e tensos do qual ele se lembrava, ao lado deles estava sua namorada com o rosto preocupado, mas no olhar ele notou uma raiva contida, afinal, ele a dispensou rapidamente ao telefone. Mas ele também viu sua irmã dando um sorriso ameaçador, típica da sua irmã que adora o ver levando uma bronca. Antes de qualquer coisa, ele começou a dizer:
- Sinto muito por ter saído assim, e por não ter dito onde estava e com quem... O que alias, eu ainda não posso dizer, mas quero que saibam que é algo para o bem – ele olhou para o rosto de todos não achando nenhum resquício de perdão – É o que eu posso falar agora.
- Você acha que isso é brincadeira Leopoldo? – Perguntou seu pai severamente e Léo se sentiu mal por ver ele tão preocupado – Você até hoje de manhã estava internado por que estava em um incêndio! Meu Deus! E você sai assim, sem dizer nada a ninguém?
- Eu não pensei... – Léo tentou dizer, mas foi cortado por seu pai.
- Você não pensou? – Seu pai continuou – Você é menor de idade e enquanto estiver sobre minha responsabilidade, você tem que dizer onde vai, com quem, o que pensa e tudo que tem haver com você!
Léo se sentiu pequeno diante de tudo aquilo e só pensava que aquilo era um sonho e que logo tudo seria resolvido, por que não faria a mesma coisa no real. Depois de um longo sermão Léo do seu pai e de dizer que nunca mais faria algo parecido e prometer para sua mãe que iria avisar toda vez que saísse, seus pais se acalmaram e decidiram deixá-lo conversar com a sua namorada.
Kelly estava chateada e disse que se sentia distante dele ultimamente, como se ela não fizesse mais parte da vida dele, Léo pensou sobre isso e disse para si mesmo, que também sentia o mesmo, mas não disse nada disso para a Kelly. Ele apenas se desculpou e disse que sentia a falta dela tanto quanto ela sentia a dele, mas a ultima frase dela foi “Não parece que é isso que está acontecendo” e foi embora. Léo ficou algum tempo olhando para a porta fechada, tentando entender o que poderia fazer no real para consertar o estava acontecendo agora no sonho, e decidiu que iria levá-la para almoçar fora, sair para fazer algo, ou qualquer coisa, afinal um tempo para os dois seria bom, ele pensou por fim.
Após tudo isso, ele foi para o quarto aturdido, querendo fechar os olhos o mais rápido possível. E assim que caiu na cama adormeceu.

O mundo parecia confuso, parecia frio e estranho. As imagens eram escuras como em um filme antigo, não havia muita nitidez, ele pode ver uma rua, uma rua com muitas pessoas, as pessoas estavam sujas, tremendo e implorando por algo que ele não sabia o que era, mas sabia que queria ajudar, queria poder fazer algo, mas estava distante demais ao mesmo tempo em que estava perto. Mas ele tentou e forçou os olhos quando viu uma figura no meio de todas aquelas, uma figura conhecida, e quando conseguiu focar o olhar, percebeu quem era e sentiu um frio percorrer seu corpo, era ele mesmo, era o Léo, era ele, mas como ele podia se ver em outro lugar? Esse outro Léo, estava olhando para um lugar fixo, mas sem prestar atenção em quem estava a sua volta, era como se estivesse hipnotizado. Tentou encontrar a direção do olhar dele e quando descobriu viu que o olhar desse outro Léo estava encarando uma mulher, era Júlia, ela estava tentando ajudar as pessoas a se levantar, mas pouco conseguia, ela às vezes caia, mas insistia e levantava novamente, em certo momento ele pode perceber que a Júlia gritava com esse outro Léo, pedia para ele ajudá-la, mas ele ficava lá parado e depois de algum tempo esse outro Léo apenas disse “Não tenho como ajudar, eu não sou um herói, eu sou apenas... eu”.

Abriu os olhos assustado. Sentiu que seu corpo estava suado, e não entendia direito o porquê, olhou para o seu corpo na cama e ficou parado por alguns segundos enquanto digeria os momentos anteriores, os momentos em que estava novamente tendo um pesadelo. “Duas vezes” Léo pensou, sem saber o que poderia ser aquilo.
Depois de piscar os olhos algumas vezes ele olhou em volta e ficou perplexo. Ele estava em casa, e isso era impossível, ele devia estar novamente no hospital... Ele se levantou rapidamente e foi até a porta e ouviu seus pais falando sobre o que Léo tinha feito no dia anterior no andar de baixo, ele correu para o seu celular e o abriu e viu a data e nessa hora ele se encostou de costas para a parede do quarto e disse para si mesmo: “Ontem não era um sonho, era real, mas como pode estar acontecendo isso? Como pode não ter sido um sonho”
(...)
Autores até o momento: Paulatictic; Fernado Hirakawa; Mateus Lopes; Gabriella RK; Vanessa; Anônimo I; Lii; Erica Belancieri; Marília Gomes, Eduardo Siqueira...